ENTREVISTA – Novo presidente da FGJ fala dos projetos dos próximos quatro anos

O futuro do judô gaúcho, nos próximos quatro anos, passa pelas mãos do faixa preta 4º dan, Carlos Eurico Pereira. Após a desistência da chapa da situação, encabeçada pelo professor Matias, na última quinta-feira, 10/01, Carlos Eurico ou Cacá, como é chamado pelos amigos, tornou-se o novo presidente da Federação Gaúcha de Judô, ocupando o posto que estava nas mãos de Matias por 24 anos. O médico pneumologista Cacá, ainda, é atleta da categoria máster, responsável técnico do judô da Universidade de Santa Cruz do Sul, UNISC, além de ser tesoureiro da 2ª Delegacia Regional de Judô da FGJ. Confira, com exclusividade, a primeira entrevista do novo presidente. Por e-mail, Carlos Eurico da Luz Pereira.

 

O que levou o senhor a concorrer a presidência da FGJ?

 

O que nos motivou a montar uma chapa de última hora, foi a falta de oposição contra a antiga administração, sem o que corríamos o risco de ficarmos mais 4 anos (o que completaria 28 anos) da mesma administração, que nos últimos anos, devido a uma série de problemas econômicos e administrativos, levou a uma queda significativa do número de filiados, e consequentemente do nível técnico do judo do estado. Soma-se a isso a administração totalitária até então vigente, sem transparência econômica, e constantes comunicados imputando aos professores e atletas a culpa pelos problemas enfrentados pela federação, o que levou a uma estafa geral das pessoas em relação a instituição além da desmoralização da figura do antigo presidente. Acreditamos no sonho de ter a chance de mudar o rumo do judô gaúcho, e agora temos 4 anos para mostrar que esse sonho é possível.

 

Foi uma surpresa a retirada da chapa 1 um dias antes do pleito?

 

Não foi surpresa, porque foi o resultado de um trabalho político e jurídico muito bem feito pela nossa chapa, nossos apoiadores, e a equipe de advocacia que estava trabalhando para nós, e já vinha se desenhando a algum tempo.

Quais as inovações para sua administração neste mandato?

Primeiramente queremos instituir um planejamento estratégico de gestão, que nos possibilite gerenciar a federação tecnica e administrativamente, com o fim específico de que a federação trabalhe para os atletas e clubes, e não o contrário, tendo como principal meta um crescimento em número de praticantes e um salto de qualidade técnica do judo em nosso estado. Já temos um organograma elaborado que visa descentralizar o poder, e dividir tarefas entre aqueles que acreditarem no nosso sonho, através da criação de diretorias como a de projetos sociais, ético-disciplinar, jurídica, técnico-desportiva do interior e administrativo-financeira; de coordenadorias como a de eventos, geral de equipes, de educação, de judô feminino, de judô master, de equipes de base, de equipes de alto rendimento, de judo comunitário, de judo escolar; além das assessorias de imprensa e marketing, de avaliação e preparação física e conselho consultivo. Ao todo serão mais de 30 pessoas envolvidas diretamente na administração da FGJ. Além disso, vamos criar nova identidade visual para a FGJ, uniformes para as equipes (onde vamos buscar alguma empresa interessada em fazer parceria e vender sua marca em nossos eventos), repaginar a sede da federação, contratar funcionários, realizar eventos competitivos diferenciados, criar um novo site mais interativo e funcional, enfim é como se estivessemos fundando a FGJ, tamanho o atraso organizacional em que a mesma se encontra.

Quais são os objetivos futuros para a Federação?

Inicialmente é buscar resgatar a idoneidade e confiança na FGJ como órgão máximo do judo no estado, manter relações interestaduais e com a CBJ que nos possibilitem sediar eventos de maior envergadura, para que possamos voltar a ocupar o lugar que merecemos no cenário nacional. Também queremos impulsionar o judo comunitário, através da criação de um instituto, e buscar a aproximação e valorização do judo escolar. Nosso primeiro compromisso será melhorar a estrutura das competições, através da aquisição de tatames importados e placares eletrônicos, semelhante aos que a maioria das federações possuem, e futuramente implantar um sistema informatizado de competições.

Os pais dos atletas que fazem parte da Seleção Gaúcha continuarão arcando com as despesas fora do Estado ou existirá uma captação de recursos, através da Entidade, para suprir estas despesas?

Nosso sonho é que todo atleta que represente o RS tenha suas despesas parcial ou totalmente pagas pela FGJ, porém a situação economica que nos foi entregue não nos possibilita implementá-lo. Conforme conseguirmos sanear as finanças da FGJ e reconquistar parceiros e apoios, queremos aos poucos implementar esta justa e importante medida.

Os clubes do interior do Estado terão uma maior valorização?

Sim, queremos reativar a 1ª delegacia que no momento está desativada, e criar novas delegacias, assim que houver uma reaproximação que entendemos deva ser natural das entidades do interior do estado. Ainda tencionamos implementar inscrições em eventos e cursos proporcionais a distância percorrida, interiorização de exames de faixa e cursos, capacitação de professores, entre outros.

As atuais taxas exercidas pela FGJ são um tanto abusivas, existe algum projeto no sentido de torná-las mais acessíveis?

Na verdade, se formos comparar as taxas cobradas pela FGJ estão de acordo com as cobradas no resto do país, um breve estudo comparativo das tabelas de custos de vários estados, mostra que a do RS é similar a de estados economicamente menos favorecidos, como Amazonas e Amapá, e muito abaixo das taxas cobradas em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. O problema maior, ao meu ver, era a fato das pessoas não visualizarem o uso destes recursos em prol do desenvolvimento do judo gaúcho.

Estamos elaborando uma tabela de custos abaixo dos valores praticados no ano passado, e inclusive em muitos aspectos mais baratos que a própria campanha de antecipação dos valores de 2008, realizada pela administração anterior em dezembro do ano passado, diga-se de passagem, valores que não nos foram repassados. Provavelmente vamos ter uma das tabelas de custo mais baratas de todo o país. Mas é preciso que as pessoas tenham o entendimento que os recursos captados pela FGJ serão na nossa gestão totalmente empregados no desenvolvimento do judo, com prestação de contas transparentes, e disponíveis para verificação a qualquer momento, a qualquer entidade ou atleta filiado, e que para que possamos colocar nossas idéias em prática, precisamos captar recursos, por isso contamos com o apoio dos clubes e professores, para que seus atletas sejam registrados na FGJ, tendo assim suas graduações certificadas, e para que possam usufruir da nova FGJ e nos ajudar na realização do nosso sonho.

O Rio Grande do Sul, leia-se SOGIPA, possui atletas de nível internacional, existe algum projeto para formarem mais atletas de ponta?

Queremos que o RS tenha atletas de ponta em todos os rincões do estado, hoje temos uma disparidade impar, temos 2 campeões mundiais em solo gaúcho, devido única e exclusivamente ao investimento e apoio do seu clube, enquanto o resto do estado amarga um atraso técnico e organizacional lamentável, com raras exceções, comparado ao crescimento técnico de estados do norte e nordeste, que antes nem figuravam no cenário nacional. Isto tudo se deve a falta de um planejamento a longo prazo, falta de investimento nas categorias de base e em cursos técnicos e capacitações de atletas e professores, além de ausência total de intercâmbio com outros estados ou países, e do excessivo número de competições de cunho iminentemente arrecadatório que vinham sendo realizadas nos últimos anos.

Para encerrar, uma frase que resuma os próximos quatro anos da FGJ.

Ao invés de uma frase, vou citar três palavras e colocar um dos slogans da nova administração.

 

TRABALHO, UNIÃO E CRESCIMENTO. “Federação Gaúcha de Judô – formando campeões no tatame e na vida. Único estado tricampeão mundial.”

Bicampeão bem-comportado

Auto-retrato: João Derly de Oliveira Nunes

Fonte Zero Hora
Único brasileiro a ostentar o título de bicampeão mundial de judô, o porto-alegrense João Derly não é apenas um atleta exemplar, amplamente admirado e festejado. Aos 26 anos, recém-casado, já confirmado para as Olimpíadas de Pequim, em agosto, o atleta da Sogipa é do tipo gente boa e bem-comportado. Quando lhe perguntam um livro, cita a Bíblia. Quando lhe pedem uma palavra da língua portuguesa, ele diz “amor”. E em que situação vale a pena mentir? “Nunca”, responde. Confira Derly por ele mesmo.


Qual a sua mais remota lembrança de infância?
Pegar bergamota no pátio do meu pai.

Qual seu maior ídolo na adolescência?

Aurélio Miguel (judoca de grande projeção nos anos 1980, campeão pan-americano, mundial e olímpico na categoria meio-pesado).


Onde você passou as suas férias inesquecíveis?
Em Macéio. Minha lua-de-mel, em dezembro.

Qual sua idéia de um domingo perfeito?
Chimarrão, churrasco e praça com amigos e família. Ah, em Porto Alegre.

O que você faz para espantar a tristeza?
Oração.

Que som acalma você?
Música gospel.

O que dispara seu lado consumista?
Filmes em DVD.

Qual a palavra mais bonita da língua portuguesa?
Amor.

Que livro você mais cita?
A Bíblia.

Que filme você sempre quer rever?

Coração Valente (dirigido e estrelado por Mel Gibson em 1995, esse épico mostra a luta dos escoceses contra os ingleses no século 13).


Que música não sai da sua cabeça?

Esperando na Janela (música de Targino Gondim, Manuca Almeida e Raimundo do Acordeon que foi sucesso na voz de Gilberto Gil).


Um gosto inusitado.
Dar presentes.

Um hábito de que você não abre mão.
Ir à igreja.

Um hábito de que você quer se livrar.
Tomar refrigerante.

Um elogio inesquecível.
“Temos orgulho de você.”

Em que situação vale a pena mentir?
Nunca.

Em que situação você perde a elegância?
Diante da mentira e da arrogância.

Em que outra profissão consegue se imaginar?
Alguma na área de saúde ou educação.

O que você estará fazendo daqui a 10 anos?

Cuidando do Instituto Podium (instituição fundada e presidida pelo atleta, que prevê a inclusão social de crianças carentes por meio da prática desportiva, sobretudo pelo judô).


Eu sou…

Uma pessoa simples, que luta para alcançar seus objetivos, sempre respeitando os valores morais que aprendi em minha casa.
QUEM É ELE
João Derly de Oliveira Nunes Júnior nasceu em Porto Alegre em 2 de junho de 1981.
É judoca na categoria meio-leve (até 66 quilos).
Treina na Sogipa.
Foi o primeiro brasileiro a levar uma medalha de ouro em um campeonato mundial adulto (em 2005, no Cairo, Egito).
Conquistou o bicampeonato mundial no ano passado, no Brasil.


ENTREVISTA: Tiago Camilo

Depois de derrotar todos os adversários por ippon, judoca é eleito o melhor atleta do Mundial

Ele já tinha uma medalha de prata conquistada nos Jogos Olímpicos de Sidney, na Austrália, em 2000. Sete anos depois, Tiago Camilo deu um aperitivo no Pan-Americano Rio 2007 do que faria no XXV Mundial de Judô. E olha que não foi nem em sua categoria de origem, o meio-médio. O judoca lutou no peso médio e ainda assim conquistou a medalha de ouro. De volta ao peso em que compete normalmente, Tiago não deu chances para os adversários no Mundial: venceu as sete lutas que disputou, sendo todas por ippon. Além de se sagrar campeão do mundo, o brasileiro ainda levou o título de melhor judoca da competição.

“Não sei se posso dizer que (Brasil) tem o melhor judô do mundo, mas com certeza está entre os melhores. Isso acontece porque todo mundo está se doando, sempre em busca de mais medalhas”

Você ganhou o Pan lutando em um peso acima do seu. Você lutaria uma competição internacional na categoria absoluto?

Por que não? (Risos). Eu já lutei no absoluto em torneios regionais, em jogos abertos e em competições por equipe. Mas em nível internacional é outra coisa. Você precisa treinar com atletas de outros pesos para estar preparado para um desafio desses.

Hoje o Brasil tem o melhor judô do mundo?

Não sei se posso dizer que tem o melhor judô do mundo, mas com certeza está entre os melhores. Isso acontece porque todo mundo está se doando, sempre em busca de mais medalhas.

O Brasil já tem um estilo próprio de luta?

Acho que sim. Temos uma mescla do judô europeu, mais truncado, com o japonês, que tem mais um estilo clássico, e ainda contamos com uma tática muito boa. Esse judô vem até mesmo da miscigenação que temos aqui no Brasil.

Qual foi a participação da torcida na conquista do título mundial?

Os torcedores têm muita participação, com certeza. Eles acabam influenciando um pouco na decisão da arbitragem, pressionando, gritando das arquibancadas. Tentamos tirar essa energia que eles passam para a gente e colocá-la dentro do tatame quando estamos lutando.

A boa fase do judô brasileiro se deve à boa estrutura fornecida para os atletas ou a uma geração de ouro de judocas que vem aparecendo?

Os dois. A geração e a estrutura que temos para treinar são muito boas. Uma coisa depende da outra. Contamos com atletas muito bons, mas se não tivéssemos uma preparação técnica de alto nível, nada adiantaria.

Alexandre Lobo e Raphael Andriolo

Do GLOBOESPORTE.COM, no Rio de Janeiro